quarta-feira, setembro 21, 2022
Home Partidos Quais são as propostas dos candidatos a presidente?

Quais são as propostas dos candidatos a presidente?

by Editor
0 Comente

Quatro candidatos à presidência têm pontuado mais de 1% nas pesquisas – dois   deles dominando a disputa. Você sabe quais são as propostas principais de cada um? Sou Nathalia Passarinho, da BBC News Brasil em Londres,   e neste vídeo vou resumir a trajetória de Jair Bolsonaro, Luiz Inácio Lula da Silva,   Ciro Gomes e Simone Tebet – e explicar o que eles propõem para as principais questões do Brasil. Vou começar por quem lidera as pesquisas no momento em que eu gravo este vídeo: Lula foi presidente por dois mandatos, entre 2003 e 2011, um período de crescimento econômico e mitigação da pobreza, algo que até hoje contribui para a popularidade dele. Mas seus governos foram marcados por dois escândalos de corrupção – o Mensalão e a Lava  Jato, que ajudam a explicar o principal obstáculo do ex-presidente: superar o antipetismo. Lula foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro na Lava Jato e ficou 580   dias preso, impedido de concorrer à eleição presidencial de 2018. Mas teve as condenações   anuladas pelo Supremo Tribunal Federal:

o órgão decidiu que Lula não teve seus   direitos respeitados ao longo do processo conduzido pelo então juiz Sergio Moro. Agora, vou listar algumas das principais propostas,  começando pelos temas que hoje mais preocupam os brasileiros: economia e emprego.

O programa petista propõe reajustes ao valor mensal do salário mínimo   acima da inflação e vinculado ao PIB – a produção de riquezas do país –, para,   segundo ele, aumentar o poder de compra da população mais pobre. É um ponto importante de diferença entre Lula e Bolsonaro, que tem mantido os  aumentos do salário mínimo no limite da inflação, ou seja, sem um reajuste real,   por causa do efeito cascata que esse aumento causa sobre outros gastos públicos. Lula também promete revogar o chamado teto de gastos, uma política aprovada   no governo Temer que limita o aumento da maior parte das despesas do governo. O programa do petista propõe, entre aspas, “uma reforma tributária que simplifique tributos,   reduzindo a tributação do consumo”. Nós vamos fazer o que já fizemos uma vez, que é colocar o pobre no   orçamento do

Estado e colocar o rico no imposto de renda,   para ele aprender a pagar imposto sobre lucros e dividendos, coisa que ele não faz Lula se opõe à privatização da Petrobras, da Eletrobras e dos Correios. O programa de   governo dele fala em um plano estratégico para a Petrobras, com vistas à segurança energética,   autossuficiência nacional e garantia de abastecimento de combustíveis. Na saúde, o projeto fala em fortalecer o SUS e retomar o atendimento às demandas médicas   represadas durante a pandemia, inclusive o programa nacional de vacinação. Na segurança, Lula promete reduzir homicídios enfrentando o crime organizado e as milícias,   modernizar as carreiras dos policiais e a fiscalização da atividade policial   e criar uma nova política sobre drogas, focada na redução de riscos, substituindo,   entre aspas, “o atual modelo bélico de combate ao tráfico”.

Na educação, a proposta é criar um programa de recuperação para   as perdas de ensino acumuladas durante a pandemia e, entre aspas, “resgatar o   projeto democrático de educação” que, segundo o PT, e “foi desmontado” na gestão atual. No meio ambiente, Lula fala em combater o uso predatório dos recursos naturais,   enfrentar milícias, grileiros e madeireiros, e em cumprir as metas da Conferência Climática de Paris, incluindo reflorestamento, transição   energética e recuperação de terras degradadas e promoção da agricultura sustentável. A questão ambiental, do clima, tem que ser vista como um modelo de desenvolvimento do país Não é olhar para a floresta e pensar como derrubá-la para crescer Não. É como crescer com ela em pé O segundo colocado nas pesquisas é o presidente Jair Bolsonaro, que tenta a reeleição.

Bolsonaro começou sua carreira como militar, em 1973, e migrou para a política em 1989. Passou   28 anos como deputado federal, cargo que ocupou durante sete mandatos até ser eleito presidente,   pelo PSL, em 2018, com uma plataforma
bastante fincada no antipetismo,   na antipolítica tradicional e na anticorrupção. Hoje,   ele concorre pelo PL, comandado por Valdemar da Costa Neto, um dos condenados no Mensalão. O mandato de Bolsonaro foi marcado pela pandemia de covid que deixou mais de 680   mil mortos até agora, e a crise econômica que ela aprofundou – e pela qual Bolsonaro   culpa a atuação dos Estados, e não do governo federal. Ele também tem   tido atritos com o Supremo Tribunal Federal e com a Justiça Eleitoral   por causa de alegações sem provas sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas. Bolsonaro mantém o apoio de uma parcela fiel e significativa do eleitorado,   sobretudo os que veem no presidente a defesa de valores cristãos e familiares. E as propostas para um eventual segundo mandato? Vamos a elas. Uma diferença importante em relação a Lula é que Bolsonaro propõe a privatização de estatais,   além de mais concessões de serviços públicos.

Para a população mais pobre, o programa do atual presidente diz que vai “buscar   o objetivo de isentar de imposto de
renda, até 2026, quem recebe até 5   salários mínimos”. Hoje essa isenção é para quem ganha cerca de 2 salários. Bolsonaro tem prometido em entrevistas e discursos manter a mesma política que iniciou em 2019,   citando o que chamou de “modernização de normas” para desburocratizar a produção industrial. Espero que na maneira como está indo, mais dois meses   a gente deva ter um dígito na taxa de desemprego O nosso PIB tem números fantásticos, ou seja, o Brasil está indo muito bem com a sua economia O programa de governo fala também em ajuste fiscal para reduzir a   relação entre dívida pública e PIB e aprimorar o sistema previdenciário. Na área de segurança, a proposta é aumentar as garantias para assegurar o acesso a armas   de fogo pelos cidadãos, além de ampliar as capacidades das Forças Armadas.

Na educação, o projeto fala em permitir o pensamento crítico sem,   entre aspas, “conotações ideológicas” nas escolas e “trabalhar com a premissa de que os pais,   e não o Estado, são os principais atores na educação das crianças”. O mais importante é a nossa liberdade O homem ou mulher sem liberdade não tem vida e devemos lutar por isso, lutar para que as nossas tradições, a nossa cultura,   a nossa fé continuem a se fazer presente no Brasil No meio ambiente, uma área sob
críticas internacionais, por causa   dos recordes de desmatamento registrados pelo Brasil e da queda na fiscalização,   o plano fala em equilibrar a proteção ambiental com o crescimento econômico. Em entrevistas e eventos, Bolsonaro tem dito que o Brasil vai ser uma potência   exportadora de hidrogênio verde, um combustível de fontes renováveis. Entre os candidatos que tentam se apresentar como a terceira via, ou seja, como alternativa a Lula   e Bolsonaro, o nome com mais intenções de voto até agora é o de Ciro Gomes. Ele foi governador do Ceará, prefeito de Fortaleza, deputado federal e ministro   dos governos Itamar Franco e Lula – que hoje é um dos principais alvos das críticas de Ciro,   em sua tentativa de abocanhar parte
dos eleitores de centro e esquerda. É a quarta vez que Ciro concorre ao Planalto. Em 2018,   ele ficou em terceiro lugar, com
12,5% dos votos. Ao seu favor,   ele tem a experiência política. Mas se depara com uma eleição extremamente polarizada,   entre dois principais candidatos que monopolizam as atenções e interesses dos eleitores. O plano de governo do Ciro Gomes fala em reajustar o salário mínimo a taxas acima do crescimento   do PIB e garantir direitos trabalhistas a categorias como trabalhadores de aplicativos. Fala também em taxar grandes fortunas, criar impostos sobre lucros e dividendos   e reduzir impostos sobre consumo, que pesam mais no orçamento dos mais pobres. Outro ponto do projeto é eliminar o teto de
gastos para as áreas de educação, saúde e   infraestrutura e pôr fim à paridade de preços internacionais de petróleo – ou seja, deixar   de equiparar o preço da gasolina ao do mercado externo, uma política que vigora desde 2016. Ciro defende criar um programa para 63,7 milhões de brasileiros que estão endividados.

Onde eu posso fazer uma política pública? No crédito Reestruturar o passivo das famílias Fazer um grande programa de educação financeira Qual é o problema de fazer isso? É financiando, não é dando dinheiro para ninguém Na área da saúde, Ciro propõe parcerias com a rede privada para reduzir a fila   de demandas do SUS e revigorar o programa nacional de vacinas,   além de criar um complexo industrial para produzir insumos e medicamentos hoje importados. Na educação, propõe os ensinos fundamental e profissionalizante em período integral e dar   apoio material a crianças vulneráveis
para que não abandonem a escola. Nós botamos o aluno para a decoreba rasa É preciso quebrar esse paradigma pela
pedagogia do conhecimento da era digital Isso significa, por exemplo, como nós estamos experimentando no Ceará,   que o professor tem mais que ensinar o aluno a perguntar do que a responder No meio ambiente, seu programa
fala na redução do desmatamento,   em criar um zoneamento econômico e ecológico na Amazônia,   em aumentar o poder de fiscalização do Ibama e outros órgãos ambientais. E, na segurança, em integrar fichas criminais com um banco de dados de DNA e reconhecimento facial,   além de unir esforços da PM e PF com guardas municipais e polícia civil. Senadora pelo Mato Grosso do Sul, Simone Tebet foi a primeira mulher   a disputar o comando do Senado, em 2021. Também foi a primeira mulher   a comandar a disputada Comissão de Constituição e Justiça da Casa. O nome dela ganhou força depois de se
destacar durante a CPI da pandemia.   Tebet não era integrante fixa da comissão, mas participou dos principais depoimentos e   manteve uma postura dura em relação à gestão Bolsonaro diante da crise sanitária. Mas essa proeminência com a CPI parece não ter sido suficiente para tornar   seu nome mais conhecido entre o eleitorado em todo o Brasil. Apesar de ser de um partido tradicional, como o MDB,   e contar com apoio formal de grandes partidos, por parte do agronegócio e da elite econômica,   a senadora até o momento não decolou nas pesquisas. Ela defende reajustes ao salário mínimo “ao menos” pela inflação   e reduzir a contribuição previdenciária de empregados que ganhem até um salário mínimo,   para incentivar a formalização. Também propõe um seguro para trabalhadores   informais de baixa renda que tenham perdas repentinas em seus rendimentos. Faço aqui o meu primeiro compromisso como presidente da República A minha principal e absoluta missão
será acabar com a fome no Brasil Erradicar a miséria e diminuir a pobreza O plano de Tebet fala em reorganizar a presença do Estado na economia,   com privatizações, desestatizações, concessões e parcerias. O dinheiro   resultante disso iria para políticas sociais. Na saúde, propõe aumentar o financiamento federal ao SUS, para reduzir desigualdades   regionais e filas de espera, além de ampliar ações de saúde preventiva e o uso da telemedicina. Também fala em rever a tabela de remuneração dos atendimentos   via SUS feitos em santas casas e hospitais filantrópicos, que vivem crise financeira e   argumentam que o dinheiro público que recebem é insuficiente para cobrir suas despesas. Na educação, ela propõe criar políticas especiais
para a primeira infância e a adolescência. Esse é a menina dos nossos olhos, um projeto de poupança jovem Se ele concluir o ensino médio, para garantir que   esse jovem vai ficar na escola, ele vai poder levantar esse dinheiro,   é uma poupança de mais de 3 mil reais que está no programa da lei de responsabilidade social Óbvio que esse valor vai ser atualizado,
pode chegar a ser muito mais do que isso No meio ambiente, o projeto dela fala em tolerância zero com o desmatamento   ilegal e em combater grileiros e madeireiros, recuperando órgãos de fiscalização.

Na segurança pública, a proposta é criar metas para esclarecer e reduzir crimes,   que seriam recompensadas com
verba federal adicional. Tebet propõe também recriar o Ministério da Segurança Pública,   maior integração das forças de segurança e revogar os decretos do governo Bolsonaro que,   segundo Tebet, fragilizaram o controle do porte e da posse de armas. Por hoje eu fico por aqui. Mas você pode seguir acompanhando nossa cobertura de eleições no YouTube, nas redes   sociais – Facebook, Twitter, Instagram e TikTok – e, é claro, no nosso site, o bbcbrasil.com. Obrigada pela audiência e até mais!

Poderá ver o vídeo no youtube Aqui

Sobre Nós

Site totalmente independente, sem apoio partidário ou vínculo com políticos. Aqui somos a voz do povo.

 

@2022 – Todos Direitos Reservados